O Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, vai além de uma data para lembrar da pressão arterial: é um chamado à ação para médicos de todas as especialidades. O tratamento da hipertensão passou por avanços significativos, exigindo atualização constante, principalmente dos profissionais que lidam diretamente com comorbidades associadas, como neurologistas, psiquiatras e cardiologistas. E mais do que nunca, entender essas atualizações é fundamental para uma prática médica mais segura, eficaz e centrada no paciente.
A hipertensão como desafio epidemiológico global

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é hoje uma das condições mais prevalentes no mundo, afetando mais de 1 bilhão de pessoas, segundo dados da OMS. No Brasil, esse número gira em torno de 36 milhões de pessoas, com uma taxa de diagnóstico ainda subestimada, especialmente entre os mais jovens e pacientes assintomáticos.
O impacto é massivo: a hipertensão é o principal fator de risco para acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e insuficiência renal terminal. Mas seus efeitos não param por aí — estudos recentes mostram correlação direta entre hipertensão mal controlada e o declínio cognitivo, doenças neurodegenerativas, distúrbios de humor e até falhas terapêuticas em pacientes psiquiátricos.
Novos rumos no tratamento da hipertensão
Nos últimos anos, o tratamento da hipertensão evoluiu de forma notável. Deixamos de falar apenas sobre monoterapia e começamos a abordar o paciente de forma integrada e personalizada. A meta agora é individualizar o tratamento, com base em fatores clínicos, genéticos, metabólicos e até comportamentais.
As principais atualizações clínicas envolvem:
- Estabelecimento de metas pressóricas mais rígidas para grupos de alto risco (pressão arterial < 130/80 mmHg para diabéticos, por exemplo);
- Uso preferencial de associações fixas de anti-hipertensivos como primeira linha terapêutica;
- Monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e automedição domiciliar (MRPA) como ferramentas de diagnóstico e acompanhamento;
- Adoção de modelos preditivos com inteligência artificial, ainda em desenvolvimento, para ajuste mais preciso de medicações.
Essas diretrizes exigem do médico uma abordagem mais estratégica e menos reativa — não basta prescrever o que “costuma funcionar”; é preciso avaliar, ajustar, reavaliar e educar continuamente o paciente.
Inovações farmacológicas que fazem diferença na adesão

Nos últimos cinco anos, surgiram medicamentos com perfis farmacocinéticos mais estáveis, meia-vida prolongada e menores efeitos adversos. Entre os destaques:
- Bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRAs) de terceira geração, com ação 24h e menos risco de hipotensão;
- Inibidores de SGLT2, originalmente indicados para diabetes, mas com efeito anti-hipertensivo relevante em pacientes com alto risco cardiovascular;
- Compostos de liberação prolongada, que reduzem a variabilidade pressórica e aumentam a adesão, especialmente em idosos e pacientes psiquiátricos.
Além disso, terapias combinadas em dose única têm se mostrado superiores em eficácia e aceitação pelos pacientes, sendo hoje recomendadas já na primeira linha de tratamento para casos com pressão arterial ≥ 160/100 mmHg.
Terapias não farmacológicas: o outro pilar da abordagem
Mesmo com os avanços medicamentosos, o controle ideal da hipertensão passa, inevitavelmente, pelas intervenções não farmacológicas. As mais efetivas incluem:
- Dieta DASH: rica em frutas, vegetais, laticínios desnatados, com baixa ingestão de gorduras saturadas e sódio;
- Atividade física regular, com pelo menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos;
- Controle do estresse crônico, com práticas de mindfulness, terapia cognitivo-comportamental e programas estruturados de saúde mental;
- Cessação do tabagismo e moderação do consumo de álcool.
Para médicos que lidam com pacientes com transtornos mentais, esse aspecto é crucial: a adesão a medidas comportamentais é diretamente influenciada por sintomas como apatia, desmotivação e alterações cognitivas. Daí a importância da abordagem integrada e interdisciplinar.
Hipertensão resistente e difícil controle: novos caminhos
A hipertensão resistente — quando a pressão permanece elevada mesmo com o uso de três ou mais classes de anti-hipertensivos — representa um desafio crescente, especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades.
As novidades no manejo incluem:
- Denervação renal por cateter, uma técnica minimamente invasiva com resultados promissores em casos refratários;
- Uso de antagonistas de mineralocorticoides (como a espirolactona ou eplerenona) como quarta medicação de escolha;
- Identificação de causas secundárias ocultas, como hiperaldosteronismo primário, apneia do sono e uso de substâncias indutoras de HAS.
A investigação aprofundada, aliada a tecnologia diagnóstica e educação do paciente, tem demonstrado melhora significativa dos resultados clínicos em curto e médio prazo.
O papel do médico vai além da prescrição

Neurologistas, psiquiatras e pediatras frequentemente lidam com pacientes hipertensos que não estão sob o cuidado direto de cardiologistas. Por isso, a atualização em hipertensão deve fazer parte da rotina de qualquer médico.
Afinal, a pressão arterial influencia:
- O prognóstico de pacientes com epilepsia, AVC ou declínio cognitivo;
- A eficácia dos psicofármacos em transtornos do humor;
- A segurança de condutas anestésicas em pacientes alérgicos com comorbidades cardiovasculares.
Manter-se atualizado sobre as diretrizes e práticas mais eficazes é um diferencial clínico e ético. E é nesse ponto que entra a importância da educação médica continuada.
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